Aos beatlemaníacos – parte I

Música e cinema sempre andaram juntos. Desde os primórdios, onde o diálogo nos filmes estava longe de ser uma realidade, havia uma orquestra que tocava conforme a história ia se desenrolando. Por isso é um erro rotular essa fase como cinema-mudo. Ele não era mudo, só era sem fala.

E você, caro leitor, deve estar se perguntando: “e onde entram os Beatles nessa história toda?”. Bem, os Beatles não faziam apresentações durante as sessões nos cinemas, até porque, na década de 60, a fala já havia invadido o produto audiovisual. Acontece que, além de eles terem feito sucesso nos palcos do mundo todo, arrancado suspiros de garotinhas na puberdade e elogios da crítica, os rapazes de Liverpool também tiveram seus dias de astros do cinema, estrelando filmes: A Hard Day’s Night, Help!, Magical Mystery Tour, Yellow Submarine e Let it be.

  • A Hard Day’s Night

Foi o primeiro filme realizado pelos Beatles lançado junto ao álbum homônimo em 1964. Nessa época, o cinema era um grande divulgador de astros do rock, como fez Elvis Presley.

Rodado em preto e branco, o longa é considerado um mini-documentário sobre o auge da beatlemania. Enfrentando produtores nervosos, fãs histéricos e o avô problemático de Paul McCartney, os fab four buscam diversas maneiras de se divertir e, ao mesmo tempo,cumprir os compromissos firmados.

O filme começa com uma viagem de trem e termina com uma apresentação de um show exibido pela TV. Algumas canções do álbum A Hard Day’s Night compõem a trilha sonora, entre elas She loves you, And I love her e If I fell, além de All my loving, que faz parte do disco anterior.

  • Help!

Lançado em 1965, Help! foi o segundo filme estrelado pelo quarteto de Liverpool, e sua trilha sonora também saiu em um álbum de mesmo nome. Gravado em Londres, Bahamas e Alpes Suíços, o filme custou o dobro que o anterior por ser filmado à cores e, obviamente, devido às locações em lugares exóticos.

Misturando aventura, comédia e musical, John, Paul, George e Ringo são perseguidos por membros de uma seita indiana que querem o anel que Ringo está usando. Embora a história seja meio boba, os clipes são super bacanas, entre eles I need you, Ticket to ride , Another Girl e The night before .

Ringo confessou, em um de seus depoimentos para a série Anthology, que muitas cenas do filme foram gravadas sob efeito de maconha.

  • Magical Mystery Tour

O terceiro filme protagonizado pelos Beatles foi produzido e dirigido por eles mesmos. O meio de exibição escolhido desta vez foi a televisão, ao invés do cinema, sendo transmitido pela BBC no dia 24/12/1967, como uma espécie de “programação especial de fim de ano” – o que aqui no Brasil pode ser facilmente representado pelo show do Roberto Carlos na TV Globo.

O projeto de realizar um novo filme partiu de Paul McCartney que escreveu a letra da música-título. É um filme sem roteiro, contendo apenas diálogos improvisados e clipes do grupo, como I am the walrus, Strawberry Fields Forever, The fool on the hill e Your mother should know.

A história gira em torno de Ringo (de novo, novamente, mais uma vez, rs) e sua tia Jessie, que compram bilhetes para um tour em um ônibus, cujo roteiro é desconhecido por eles e pelos outros passageiros, mas considerado mágico e misterioso pelos organizadores. Durante a viagem, mágicos intervêm no passeio, criando situações inusitadas e pitorescas.

Quando estreou na BBC, o filme foi linchado tanto pela crítica como pelo público. O resultado?! Sua segunda exibição foi cancelada. Atualmente, é considerado um dos percusores do tipo de comédia non-sense.

  • Yellow submarine

 

O filme mais popular dos Beatles é essa animação que foi lançada em 1968, baseada na canção de mesmo nome que foi gravada no álbum Revolver dois anos atrás.

A história do longa é sobre Pepperland, um paraíso situado a 80 mil léguas submarinas cercado de cor e música que foi atacado pelos Blues Meanies, cujo objetivo era acabar com toda a alegria do lugar. Aí é que entra o grupo! John, Paul, George e Ringo embarcam em um submarino amarelo com a finalidade de salvar Pepperland das mãos desses seres azuis. No caminho, passam pelo Sea of times (onde cantam Only a nothern song), Sea of monsters, Sea of holes e Sea of nothing (onde cantam Nowhere man). Há outras canções no filme, como Yellow submarine (óbvio, né), Eleanor Rigby e Lucy in the sky with diamonds No final, eles devolvem a cor, a música e a alegria à excêntrica cidadezinha de Pepperland, imitando Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band .

O filme foi lançado no auge da contracultura hippie, todo cheio de cores, formas e flores. Além do mais, Yellow Submarine se tornou um marco da animação, pois conseguiu reunir em um único filme todas as técnicas mais modernas de ilustração e desenhos animados da década de 60. Após seu lançamento, outras empresas de animação se inspiraram na sua estética psicodélica e veicularam, nos grandes meios de comunicação, propagandas recheadas de borboletinhas, flores e cores do arco-íris.

  

  • Let it be

 

O quinto e último filme protagozinado pelos Beatles foi lançado em 1970, um ano depois de ser gravado o ábum homônimo.  É um retrato muito fiel sobre o fim da maior banda de todos os tempos – tão fiel que Paul McCartney, vivo até hoje, não move uma palha para que o filme seja digitalizado e relançado em DVD.

A idéia original era mostrar o grupo gravando e criando um novo disco em estúdio a fim de transmitir o resultado disso na televisão. O ano era 1968 e o Álbum Branco era considerado um dos melhores discos da banda. Porém, o clima nas gravações estava mais pesado do que se podia imaginar. John Lennon estava mais interessado em Yoko Ono e em seus projetos experimentais, George Harrison também aderiu à onda de gravar álbuns solo e Ringo Starr estava se aventurando no mundo da sétima arte (sim, o baterista dos Beatles participou de mais de um filme que não era dos Beatles, chamados Candy, em 1968, e The Magic Christian, em 1969) . E o Senhor McCartney?! Bom, ele era o único beatle realmente interessado e empenhado em manter o grupo unido, por isso teve a idéia de fazer esse projeto, inicialmente nomeado Get Back.

Mas devido a todos estes conflitos citados acima, o projeto mudou de rumo. Ao invés de mostrar o quarteto voltando à origem sem ajuda de efeitos de estúdio e orquestras contratadas, o assunto do documentário passou a ser sobre como os Beatles se separaram. As câmeras capturaram discussões, descasos e até mesmo uma briga entre Paul e George.

O show no telhado da gravadora Apple aconteceu em janeiro de 1969, fazendo parte das gravações de Let it be. Lá, eles tocaram Get back, Don’t let me down e One after 909, entre outras canções. Foi o último show. Foi a última vez que tocaram juntos. Foi o fim.

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E aí, caolhos?! Vocês já assistiram algum desses filmes? Ficaram interessados? Querem mais? Aguardem, então, o post Aos Beatlemaníacos – parte II, o qual eu listarei e comentarei aqui os filmes baseados no quarteto de Liverpool. Até a próxima!

5 Respostas para “Aos beatlemaníacos – parte I”

  1. vinicius Diz:

    percursores do filme non-sense
    caramba *O*
    os non-sense besteirol
    são engraçados *-* uahsuahs

    help! com roteiro de indiana jones xD

  2. Não assisti D:

    Mas deu vontade!

    Muita O/

    • amandarocco Diz:

      Nossa, Rafa, super recomendo q vc assista a todos eles! Se eu achar o link pra baixar os filmes, eu posto aqui pra facilitar a vida de vcs ;)

  3. Galera, ia escrever uma matéria sobre isso também. Tem umas imagens tãão legais. Mas, enfim, como vocês já começaram a escrever não esqueçam de Give My Regards to Broad Street de 84, produzido e estrelado por McCartney. #ficaadica

    ;]

    • amandarocco Diz:

      Salvador, concordo com você. As imagens de todos os filmes dos Beatles são super bacanas e inspiradoras. Duvido q quem ja assistiu A Hard Day’s Night nao tenha ficado com vontade de fazer uma montagenzinha de caras e bocas no photoshop =P [digo isso por experiencia própria]. Mas se vc quiser escrever um outro post sobre esse tema, fique a vontade. Beatles nunca é demais ;)
      Obg pela dica! Pode ter certeza q eu falarei desse filme sim – e de muitos outros inspirados no quarteto mais foda de todos os tempos! :D

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