‘Eu vejo tudo enquadrado…’
… já dizia Adriana Calcanhotto em uma de suas canções. Mas como esse blog não se trata de música, deixemos os acordes de lado e vamos ao que realmente nos interessa: enquadramento!
Segundo o dicionário Aurélio, enquadrar significa pôr ou incluir num quadro. Este quadro, no nosso caso, refere-se, obviamente, à tela do cinema.
Do final do século XIX até meados da década de 1910, só havia um único tipo de plano: aquele que mostrava o assunto filmado de corpo inteiro, sem cortes e com uma câmera fixa. Mas tudo isso mudou em 1915 com o filme O Nascimento de uma nação, do diretor americano D. W. Griffith. Popularmente conhecido no mundo cinematográfico como o pai da linguagem audiovisual, foi exatamente neste longa-metragem de aproximadamente 4 horas (pasme!) que ele começou a desenvolver os diferentes tipos de planos que foram sendo aperfeiçoados com o passar do tempo e que são utilizados até os dias atuais.
Para não ficarmos neste blá-blá-blá insosso e cansativo, exemplificarei os diversos enquadramentos utilizando-se de imagens de um clássico do suspense: O Iluminado (The Shining – 1980) de Stanley Kubrick.
- personagem enquadrado de corpo inteiro;
- ambiente tem mesma importância que personagem;
- frequentemente usado como plano de introdução;
- registra relação entre personagens e apresenta mais claramente suas ações.

2. Plano americano:
- corta os personagens na altura do joelho;
- comporta aproximadamente quatro pessoas.
3. Meio plano médio:
- corta na linha da cintura;
- geralmente corta as mãos, por isso é interessante usar em uma situação em que o personagem gesticule;
- reduz a presença do ambiente;
- usado em diálogos;
- mostra uma relação maior entre os personagens;
- permite corte para todos os outros planos sem chocar o espectador.
4. Primeiro plano:
- corta na linha do ombro;
- exprime maior carga dramática;
- enfatiza a expressão.

5. Primeiríssimo plano:
- usado somente em pessoas;
- elimina a presença do ambiente;
- invade a psique do personagem.
6. Plano detalhe:
- mostra uma parte do corpo ou objeto.
7. Plano meio conjunto:
- mostra a totalidade da cena;
- enquadra o personagem por inteiro, mas um pouco mais distante.
8. Plano conjunto:
- estabelece o ambiente;
- confere inferioridade à ação ou personagem;
- possui tom opressor, pessimista e negativo.
9. Plano grande conjunto:
- opressão absoluta do cenário sobre o personagem.
Agora que você já conhece os diferentes tipos de enquadramento, você poderá observá-los em todos os filmes e utilizá-los até mesmo nas suas fotografias, afinal tudo que comunica com imagens utiliza linguagem cinematográfica!
PS: agradecimentos especiais às aulas de Cinema e Fundamentos do Audiovisual ministradas pelo professor Eliseu, no segundo semestre de 2009, para o curso de Multimeios da PUC-SP. Foram graças às anotações feitas durante essas aulas que este post pôde ser concebido! ;)
Até a próxima, cinéfilos!






















maio 6, 2010 às 12:15 am
Nossa que ótimo post *-*
é ótimo saber que podem ser usados em fotografias *O* também
infelizmente minha fraca memória vá se esquecer de tantos enquadramentos mais tarde
xD
maio 6, 2010 às 1:21 pm
Muito bom realmente!
Esse filme é tensamente, perturbadoramente de mais!
maio 7, 2010 às 11:05 pm
concordo nat! esse é um dos melhores filmes de suspense que existe!
maio 6, 2010 às 1:21 pm
pois podem sim! porque até em fotografia vc precisa enquadrar o assunto pra q ele possa sair na foto depois ^^ é o mesmo processo
quanto a sua fraca memória [rs], salve o post nos seus favoritos e entre quando quiser! ele vai ficar aqui a disposição de todos!
junho 11, 2010 às 4:26 am
Muito bom o post.
junho 11, 2010 às 5:30 am
Porra bicho! Parabéns pelo post. Valeu.
junho 11, 2010 às 5:34 am
[...] … já dizia Adriana Calcanhotto em uma de suas canções. Mas como esse blog não se trata de música, deixemos os acordes de lado e vamos ao que realmente nos interessa: enquadramento! Segundo o dicionário Aurélio, enquadrar significa pôr ou incluir num quadro. Este quadro, no nosso caso, refere-se, obviamente, à tela do cinema. Do final do século XIX até meados da década de 1910, só havia um único tipo de plano: aquele que mostrava o assunto filma … Read More [...]
junho 11, 2010 às 3:17 pm
trabalho com animação, e o que eu aprendi lendo um livro de algumas centenas de páginas está resumido aqui…
obrigado, ótimo post…e ótimo exemplo1
kubrick rules!
junho 11, 2010 às 5:58 pm
otimo post vou salva pra mim! hehehe
junho 13, 2010 às 2:56 am
Excelente post e excelente filme!
outubro 3, 2010 às 2:50 am
cara, faz tempo q nao via um post tao tri. é legal fazer algo assim, algo diferente de artigos, criticas de filmes, q eu já tava é enjoado daqueles em q as pessoas só querem aparecer com sua arrogancia opinativa. garanto q nem sabem nda de enquadramentos. só querem saber de gore e efeitos especiais.
janeiro 14, 2012 às 2:45 pm
cara vlw foi um mão na roda